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Arquiteta Sincera: 3 tendências da arquitetura que eu não gosto

há 11 horas
4 min de leitura
Sala de estar moderna e iluminada, com sofá curvo bege, poltronas verdes, mesa redonda e cozinha ao fundo.

Tendências fazem parte da arquitetura e do design de interiores. Algumas surgem como resposta a novas formas de morar, outras resgatam referências do passado e muitas simplesmente ganham força porque começam a aparecer em todos os lugares.

Pinterest, Instagram, mostras de decoração, lojas de móveis… de repente, determinado elemento está em todo projeto.

E não há necessariamente nada de errado nisso.


Mas seguir uma tendência não deveria ser mais importante do que entender como aquele espaço será percebido e utilizado por quem vive nele.


Então resolvi inaugurar por aqui uma sessão que provavelmente ainda vai render assunto: Arquiteta Sincera.


E começo com três tendências muito presentes atualmente que, particularmente, eu não gosto.

Antes que alguém se ofenda: não significa que sejam erradas.


Arquitetura também envolve preferências pessoais — inclusive as do arquiteto.


Vamos à polêmica.


1. Curvas orgânicas pra todo lado


Sala e cozinha modernas em tons bege, com sofás curvos, mesa de centro, ilha com banquetas e luz suave.

Sofá curvo. Tapete orgânico. Mesa orgânica. Ilha curva. Parede curva. Porta curva.

Chega.

Não tenho absolutamente nada contra as formas orgânicas. Pelo contrário: quando existe uma intenção no projeto, uma curva pode suavizar o ambiente, orientar um percurso, criar movimento ou se transformar em um ponto interessante na composição.


O problema, para mim, começa quando tudo precisa ter uma curva simplesmente porque as formas orgânicas viraram tendência.

As linhas retas e as formas geométricas continuam tendo seu valor. Elas ajudam a organizar visualmente o espaço, criam ritmo e podem produzir ambientes tão interessantes quanto aqueles dominados pelas formas arredondadas.


E existe ainda uma implicância muito particular minha: sofás extremamente curvos.

Podem ficar lindos em uma fotografia, eu reconheço.

Mas quando olho para alguns deles, minha primeira pergunta é muito menos conceitual:

onde exatamente eu vou me esparramar nesse sofá?

Porque estética importa, mas conforto também.


2. Tudo novo, perfeito e combinando


Essa talvez seja uma tendência menos óbvia.

São aqueles interiores impecáveis em que absolutamente tudo parece ter sido comprado para o projeto.

O sofá é novo. A mesa é nova. Os objetos decorativos são novos. Os quadros foram escolhidos para combinar com a paleta e até os livros parecem ter sido selecionados pela cor da lombada.

O resultado pode ser visualmente perfeito.

Mas, para mim, falta alguma coisa.


Cadê a vida dessa casa?

Cadê a cômoda herdada da avó?

O livro antigo que já passou por três mudanças?

O porta-retrato que talvez nem combine tanto assim com a decoração?

A lembrança comprada naquela viagem?

A peça que tem um pequeno defeito, mas que ninguém pensa em jogar fora porque existe uma história ligada a ela?

Eu gosto de interiores que tenham camadas de tempo.


Sala de estar aconchegante com sofá claro, poltrona de couro, mesa de centro de madeira, plantas e luz quente.

Uma casa não precisa nascer pronta no dia em que o projeto termina. Na verdade, acho muito mais interessante quando ela continua sendo construída por quem vive ali.

É a mesma lógica que uso quando falo sobre decorar sem transformar a casa em um cenário: objetos pessoais, livros, lembranças e peças que já pertenciam ao morador também fazem parte do projeto.


Quando tudo é excessivamente novo, coordenado e perfeito, existe o risco de o ambiente parecer uma excelente loja de móveis e decoração.

Bonito? Sim.

Mas eu quero olhar para uma casa e perceber quem mora nela.




3. Portas de entrada absurdamente altas


Entrada de casa moderna à noite, com porta de madeira aberta, jardim iluminado e parede de pedra.

Aqui provavelmente começa a parte mais polêmica.

Portas monumentais de quatro, cinco ou até seis metros de altura aparecem cada vez mais em residências com pé-direito duplo.

Eu entendo perfeitamente a intenção arquitetônica.

Elas criam imponência, enfatizam a verticalidade, acompanham o pé-direito e produzem aquele impacto imediato na fachada.


Mas pessoalmente?

Não gosto.


Em muitos projetos, sinto que a porta perde a relação com a escala humana e passa a existir principalmente para causar impacto.

E arquitetura não precisa ser monumental o tempo inteiro para ser interessante.


Muitas vezes, são justamente as decisões menos chamativas — proporção, iluminação, circulação, materiais e funcionalidade — que determinam se um espaço realmente funciona. É por isso que algumas escolhas precisam ser feitas antes mesmo de a reforma começar.


Proporção, composição, materialidade e bons detalhes conseguem criar uma entrada marcante sem necessariamente transformar a porta em um elemento de vários metros de altura.

E existe também o lado extremamente prático da arquiteta que olha para aquilo e pensa:

quem vai limpar essa porta lá em cima?


Pode não ser a reflexão mais poética da arquitetura, mas alguém precisava fazê-la.


Então essas tendências não deveriam ser usadas?


Claro que não é isso.

Se você ama sofá curvo, sonha com uma casa completamente nova e quer uma porta de entrada de cinco metros, a casa é sua.

Aliás, esse é justamente o ponto mais importante desta conversa.


Um projeto não deveria existir para representar exclusivamente o gosto do arquiteto.

Também não deveria ser uma reprodução automática do que está aparecendo no Instagram, no Pinterest ou nas mostras de decoração.


Tendências podem servir como referência, inspiração e até ajudar a descobrir coisas das quais você gosta.

O problema começa quando elas substituem uma pergunta muito mais importante:

isso faz sentido para quem vai viver aqui?


É justamente esse olhar que procuro levar para os meus projetos e também para a consultoria de arquitetura online, quando o cliente já tem um espaço ou uma ideia, mas precisa de orientação para tomar decisões com mais segurança.


Eu posso não gostar de uma determinada solução e ainda assim reconhecer que ela é perfeita para outra pessoa.

Porque uma boa casa não precisa parecer comigo.

Ela precisa parecer com quem mora nela.


E você?

Já que inauguramos oficialmente a sessão Arquiteta Sincera, agora quero saber:

qual tendência da arquitetura ou da decoração você vê em todo lugar e simplesmente não gosta?

Talvez ela apareça na próxima edição. 👀


Sala aconchegante com sofá claro, poltrona, mesa de centro de madeira, plantas, quadros coloridos e luz quente.

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Projetos que unem funcionalidade, estética e bem-estar para transformar espaços e melhorar rotinas.

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